AS NOVAS REGRAS DA CFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais .

 

Tendo por base inicial a Medida Provisória n. 789, de 26/07/2017, foi sancionada a Lei n. 13.540, em 19/12/2017, que trouxe diversas mudanças nos procedimentos administrativos e nas normas de cálculo da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM.

 

Relatamos abaixo as principais alterações no CFEM:

 

Base de cálculo:

 

– Passa a ser adotada, como base de cálculo, a receita bruta nas operações de venda, deduzindo-se apenas os tributos que incidem sobre a comercialização.

 

– É vedada, portanto, a dedução das despesas com frete e seguro, antes permitidas.

 

– Em toda e qualquer exportação, a base de cálculo estará sujeita a teste pelo PECEX (Preço sob Cotação de Exportação), ou pelo valor de referência, a ser fixado pela Agência Nacional de Mineração. O valor apurado servirá como base mínima de cálculo da CFEM nas exportações, independentemente do valor declarado pelo contribuinte.

 

– Em relação ao consumo de minério, a CFEM será calculada conforme metodologia que se baseia no valor de mercado do bem mineral, e não mais no custo de produção. Tal metodologia será regulamentada por decreto presidencial e pela Agência Nacional de Mineração – ANM.

 

 

– Os contribuintes gozarão de uma redução de 50% no valor a pagar de CFEM, nos casos de venda de rejeitos e estéreis de minerais associados e utilizados em outras cadeias produtivas.

 

Fato gerador:

– Nas saídas por venda entre empresas coligadas ou de um mesmo grupo econômico, ocorrendo a configuração de fato gerador, a base será, no mínimo, o preço corrente do minério. Não configurado o fato gerador na saída, será praticado quando da venda ou consumo pela empresa adquirente, o que ocorrer primeiro, mantendo-se como contribuinte a empresa mineradora.

 

– O beneficiamento de minério em estabelecimento de terceiros passa a configurar a incidência da CFEM pela hipótese de consumo.

 

– Os processos industriais de sinterização, calcinação e coqueifação foram excluídos do conceito de beneficiamento mineral.

 

– O consumo passa a ser conceituado como a utilização de bem mineral em processo que importe na obtenção de nova espécie, e não mais como ‘descaracterização mineralógica’, o que provocava inúmeras controvérsias.

 

Alíquotas:

 

– A alíquota do minério de ferro passa a ser de 3,5%. Entretanto, poderá ser reduzida para até 2% quando a exploração procura aproveitar economicamente jazidas de baixo desempenho e rentabilidade. Decreto deverá disciplinar a matéria.

 

– As alíquotas do nióbio, bauxita, manganês, e sal-gema passam a ser de 3%.

 

– As alíquotas de diamantes, pedras preciosas, pedras lapidáveis, carbonados e metais nobres passam a ser de 2%.

 

– A alíquota do ouro passa a ser de 1,5%.

 

– As alíquotas de rochas ornamentais, água mineral e termal passam a ser de 1%.

 

– Haverá uma redução de alíquota para rochas, areias, cascalhos, saibros e demais substâncias minerais quando destinadas ao uso imediato na construção civil.

 

Destinação da receita:

 

– 15% para o Distrito Federal e os Estados onde ocorrer a produção;

 

– 60% para o Distrito Federal e os Municípios onde ocorrer a produção;

 

– 15% para o Distrito Federal e os Municípios, quando afetados pela atividade de mineração e a produção não ocorrer em seus territórios, nas seguintes situações:

a) cortados pelas infraestruturas utilizadas para o transporte ferroviário ou dutoviário de substâncias minerais;

b) afetados pelas operações portuárias e de embarque e desembarque de substâncias minerais;

c) onde se localizem as pilhas de estéril, as barragens de rejeitos e as instalações de beneficiamento de substâncias minerais, bem como as demais instalações previstas no plano de aproveitamento econômico.

 

– Na inexistência das hipóteses previstas no item anterior, a respectiva parcela será destinada ao Distrito Federal e aos Estados onde ocorrer a produção.

 

– O Distrito Federal, os Estados e os Municípios deverão destinar pelo menos 20% de suas parcelas para atividades relativas à diversificação econômica, ao desenvolvimento mineral sustentável e ao desenvolvimento científico e tecnológico.

 

Contribuintes da CFEM:

 

– O titular de direitos minerários que exerça a atividade de mineração;

 

– O primeiro adquirente de bem mineral extraído sob o regime de permissão de lavra garimpeira;

 

– O adquirente de bens minerais arrematados em hasta pública;

 

– quem exerça, a título oneroso ou gratuito, a atividade de exploração de recursos minerais com base nos direitos do titular original.

 

Prazos de lançamento e cobrança:

 

– Decadência – 10 anos para sua constituição e lançamento;

 

– Prescrição – 5 anos para sua exigência, contados da data do lançamento.

 

Autor: Roberto A. Tauil, Editor Blog.

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